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A solidão é a percepção de se estar sozinho e isolado, é um sentimento de desconexão das pessoas que nos rodeiam. Assim, está associada não ao número de relações interpessoais que temos, mas sim à qualidade destas relações e da capacidade destas em nos fazerem sentir emocionalmente e socialmente conectados. Para isso, é essencial haver a percepção de que o outro nos ouve e compreende, que é empático connosco – criando a sensação de que somos aceites e de que pertencemos a algum lado ou a alguém. Caso contrário, podemo-nos sentir sós mesmo quando estamos acompanhados.

Em termos evolutivos, a solidão reflecte a sensação de exclusão social. A espécie humana é uma espécie social, tendo em conta que os nossos antepassados aprenderam a sobreviver em grupo. O não pertencer a um grupo ou tribo muitas vezes significava a não sobrevivência (pela dificuldade em encontrar recursos alimentares etc. e dificuldades de defesa e protecção). Possivelmente, esta será a razão pela qual o contacto humano e as relações sociais são necessidades humanas básicas, pois evolutivamente a nossa espécie e os nossos antepassados não sobreviveram sem o apoio de outros. E possivelmente esta será a razão porque sentimos tão intensamente e profundamente a solidão, pois o nosso cérebro está a criar um sinal de alerta para uma situação potencialmente perigosa – o estarmos sozinhos.

Sendo esta situação lida como um potencial perigo pelo nosso cérebro é provável sentirmos, também, algum nível de ansiedade e de stress associado aos sentimentos de solidão. É uma reacção imediata do nosso corpo, que se prepara para lutar e enfrentar esse perigo, o que traz consequências à nossa saúde em geral e agrava o próprio sofrimento psicológico.

Actualmente, é usual as relações ocorrerem por intermédio das tecnologias, não existindo a presença física das pessoas. No entanto, o contacto físico e o toque são importantes para a criação de relações próximas, nas quais nos sentimos reconfortados e conectados. Isto é muito visível nas crianças que precisam de um abraço ou de um conforto físico para se sentirem seguras e amadas. Um adulto saudável aprende a auto-regular-se e a criar, por si, esta sensação de segurança e carinho, no entanto continua a necessitar deste conforto físico por parte de outras pessoas.

Assim, existem algumas situações que podem originar os sentimentos de solidão, como, por exemplo, a perda de alguém importante, a ruptura de uma relação importante ou as dificuldades de comunicação numa relação amorosa ou outra relação igualmente importante.

Para além disso, a mudança de país ou de cidade, o desconhecimento dos valores e da cultura, ou o viver em cidades com muitos habitantes e com um estilo de vida muito agitado, em que as relações tendem a ser superficiais e fugazes, pode conduzir ao surgimento de sentimentos de solidão.

Deste modo, a solidão não tem uma causa única e cada pessoa a sente de uma forma particular e pessoal. Por isso, a intervenção tem de ser adaptada a cada caso. No entanto, esta envolverá sempre a construção de relações saudáveis de proximidade com os outros. Afinal, somos seres sociais que anseiam por relacionamentos nos quais nos sentimos amados e acarinhados.


Quer saber o que fazer para lidar com a solidão? Então aceda ao nosso artigo Como lidar com a solidão?

 

 

A solidão