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Muitos de nós sofrem com a possibilidade de decidir de forma errada. Encontramos vantagens e desvantagens em várias opções o que nos deixa confusos e indecisos. E sentimo-nos motivados a realizar ações incompatíveis – eu quero ir para a direita e também quero ir para a esquerda. Por vezes, lidamos com estes conflitos de uma forma inteiramente lógica e racional, pesando os prós e os contras de uma dada situação, analisando e percebendo, de forma fria, qual a melhor escolha a fazer.

No entanto, para lidar com um conflito pode ser necessário um nível mais profundo de perceção – a intuição. A intuição é geralmente descrita como uma forma de saber ou conhecer que é espontânea e que não recorre à lógica ou ao raciocínio analítico ou linguístico. Assim, por intuição entende-se um retomar ao corpo, analisando um determinado conflito ou situação através das reações do nosso corpo ao mesmo.

É uma sabedoria emotiva (não verbal ou linguística), que se distingue dos desejos intensos originados por emoções frenéticas e superficiais (como o desejo súbito de comer algo), ao envolver emoções mais profundas, muitas vezes relacionadas com os nossos valores de vida (aquilo que queremos para a nossa vida – amor, paz, tranquilidade, etc.). Estas emoções dão-nos a sensação de estabilidade e orientação. Dão-nos a sensação de enraizamento, como se dos nossos pés saíssem raízes que nos unem à terra e que nos mantém firmes e sólidos, como uma árvore que tranquilamente abana com a força do vento, mantendo-se segura e estável no seu centro.

É uma sabedoria corporal que advém não só dos nossos valores de vida, mas também de um conhecimento antigo e ancestral que está alojado em nós. Este conhecimento envolve as aprendizagens daqueles que existiram antes de nós e dos quais descendemos. Nós somos fruto dos nossos antepassados, somos a sua continuação viva. E, de certo modo, as suas aprendizagens manifestam-se no nosso corpo. Se nós deixarmos, o corpo sabe aquilo que tem a fazer.

E a essa sabedoria, que resulta dos nossos valores de vida e de um conhecimento ancestral, podemos chamar de intuição. Assim, a intuição envolve o espaço onde eu estou com tudo aquilo que está presente, todas as emoções, desejos e motivações que surgem, observando todo esse palco de atuação da mente com uma certa distância, mantendo-me na plateia em vez de subir ao palco e vestir a pele de uma personagem, encarnando a sua história. E, neste espaço, aos poucos, vamos conseguindo perceber um certo tom ou cor emocional, que não envolve um discurso verbal e lógico, mas que tende a ser um simples gostar/não gostar e uma vontade de aproximar/afastar. Uma mente calma e tranquila consegue distinguir intuição do barulho de fundo.

Seguir a nossa intuição é um relembrar de que nós já sabemos aquilo que queremos, aquilo que valorizamos. Nós já sabemos a pessoa que queremos ser. Dentro de nós, para além de insegurança e dúvida, existe também sabedoria.

 

“Existe uma voz que não usa palavras. Escute-a.”

(Rumi)

Conflitos e Intuição