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A Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma Perturbação Neurodesenvolvimental caracterizada por um padrão persistente de comportamentos de desatenção e/ou de hiperactividade/impulsividade, que interfere com o funcionamento ou desenvolvimento normal da criança (segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, DSM-5).

Vários estudos sugerem que a PHDA é a manifestação comportamental de alterações a nível neuroquímico (especificamente ao nível de neurotransmissores, como a dopamina). Algumas estruturas cerebrais tendem a estar menos desenvolvidas nos cérebros de crianças hiperactivas (como o lobo frontal) e a nível genético têm sido estudados vários genes que poderão estar implicados nesta perturbação. No entanto, não existe um consenso claro da origem desta perturbação.

 

Quais os sintomas?

As crianças diagnosticadas com PHDA podem apresentar um conjunto variável de sintomas, cuja maioria surge antes dos 12 anos de idade e que se repartem por duas áreas ou tipologias:

 

Comportamentos de desatenção:

– Dificuldades em prestar atenção aos pormenores;

– Dificuldades em manter a atenção no desempenho de tarefas ou actividades;

– Ausências ou distrações (dificuldades em ouvir ou compreender o que lhe é dito directamente);

– Dificuldade em organizar tarefas sequenciais;

– Má gestão do tempo;

– Dificuldade em manter objectos pessoais (frequentemente perde os seus pertences);

– Relutância em realizar tarefas que envolvam um esforço mental continuado;

– Distração com estímulos alheios do ambiente;

– Etc.

 

Comportamentos de hiperactividade e/ou impulsividade:

– Remexe-se quando está sentado (agita ou bate com as mãos ou os pés);

– Corre ou salta em situações em que não é adequado fazê-lo;

– Levanta-se quando é suposto estar sentado;

– Está frequentemente em movimento;

– Fala em excesso, interrompendo os outros;

– Responde a perguntas antes de elas terem acabado;

– Dificuldades em esperar pela sua vez;

– Etc.

 

Algumas crianças apresentam apenas comportamentos de um tipo (desatenção ou hiperactividade/impulsividade), enquanto que a maioria apresenta uma mistura dos dois tipos de comportamentos.

É importante salientar que por vezes é difícil fazer a distinção entre um comportamento de desatenção ou de hiperactividade e um comportamento dito normal. Afinal, todas as crianças apresentam os comportamentos enumerados acima em algumas ocasiões. Para além disso, um mesmo comportamento pode parecer excessivo para uma pessoa e não para outra.

O comportamento de desatenção ou hiperactivo tem a particularidade de ser mais frequente e ocorrer em variados contextos, de não ser esperado ou apropriado para a idade da criança e de criar um impacto negativo directo nas atividades sociais e académicas da criança. Assim, se estes comportamentos ocorrerem apenas em um contexto significa que a criança aprendeu a se comportar daquela forma apenas naquela relação ou naquele local, conseguindo, noutros contextos, manter um comportamento adequado à sua idade.

Estes sintomas podem variar à medida que a criança vai crescendo. As crianças mais novas tendem a apresentar mais sintomas de hiperactividade/impulsividade, sendo que quando vão para a escola, por volta dos 6 anos, podem-se tornar mais visíveis os sintomas de desatenção. Na adolescência os sintomas tendem a diminuir, podendo manifestar-se não só através de desatenção e impulsividade, mas também através de inquietação ou de movimentos irrequietos (o mexer constantemente). Estes comportamentos de desatenção, impulsividade e inquietação podem persistir na idade adulta.

Por vezes, a PHDA não vem sozinha…

Alguns estudos sugerem que 2/3 das crianças com PHDA preenchem os critérios para outra perturbação mental, como por exemplo:

– Perturbação Desafiante de Oposição;

– Dislexia;

– Perturbação do Comportamento;

– Perturbação de Ansiedade;

– Perturbação de Humor (Depressão);

– Etc.

 

Para além disto, muitas crianças com PHDA apresentam dificuldades como:

– Dificuldades de aprendizagens;

– Dificuldades em socializar e interagir com outras crianças;

– Problemas de ajustamento psicossocial;

– Dificuldade em cumprir regras e objectivos.

 

O que fazer?

A intervenção em crianças com PHDA pode ser feita a vários níveis, nomeadamente a nível farmacológico, a nível psicoterapêutico e a nível psicossocial. Possivelmente, a intervenção será mais adequada e eficaz se envolver diferentes níveis.

A intervenção farmacológica pode ser fundamental em casos de maior gravidade. Por outro lado, a intervenção psicoterapêutica pode ajudar as crianças a desenvolver o autocontrolo e a aprenderem a lidar com os seus sentimentos. E, por fim, a intervenção psicossocial ajuda os pais e os professores a perceberem como podem ajudar a criança.


Para saber mais sobre a intervenção em crianças com PHDA leia o nosso artigo: Hiperactividade e Défice de Atenção – como intervir?

O primeiro passo envolve sempre o compreender o que está a acontecer com a criança, reconhecendo quais as suas capacidades e pontos fortes, e procurar informações e recursos para o ajudar a lidar com esses comportamentos e sintomas. Com pequenas mudanças graduais e ao longo do tempo a criança pode aprender a regular o seu comportamento e a manter a concentração.

Hiperactividade e Défice de Atenção – quais os sintomas?